Como ler o inconsciente sem dominar o acontecimento? Um ensinamento de Althusser para a análise do discurso lacaniana

Por David Pavón-Cuéllar, traduzido por Reginaldo Gomes.

A utilidade da psicanálise para a revolução, como já apontava Lacan na época, reside precisamente em manter aberto o círculo revolucionário. Tal abertura deve ser um propósito central da análise lacaniana do discurso em pesquisas que aspiram a ser intervenções políticas voltadas à mudança radical da sociedade. Nessas investigações, um discurso como o de Lênin não deve ser reduzido às suas causas, mas produzir novos efeitos.

Conferência proferida no Birkbeck College, Londres, Reino Unido, em 11 de dezembro de 2013.

Tal como Lacan a representa, a trama histórica se tece com fios de linguagem. As palavras confeccionam tudo o que ocorre na história. Não há acontecimento que não tenha lugar em um cenário discursivo. É aqui, no discurso, onde tudo ocorre ao se representar de maneira simbólica.

Certamente que há irrupções traumáticas do real que parecem inefáveis, indescritíveis, irrepresentáveis, mas elas só terão lugar uma vez que se as represente simbolicamente através das mesmas palavras que não conseguem expressá-las. Ainda que as experiências resistam à expressão, haverão de ser expressas de algum modo, identificando-as ao menos como o inexpressável, pois tão somente assim terão lugar no único lugar no qual podem ter lugar, que é o lugar da linguagem. Esse lugar engloba livros de história, jornais e outros meios massivos de informação, mas também ruas e campos de batalha.

Quando dois exércitos se enfrentam, a batalha é entre bandeiras, classes, nações, ideais e outras entidades simbólicas. É verdade que as balas se afundam na carne, o sangue corre, os soldados morrem, os corpos são mutilados, e a experiência aterrorizante e angustiante de tudo isso é algo real, demasiado real, que escapa definitivamente às palavras. Não obstante, em sentido estrito, o acontecimento da batalha, o evento histórico, o que terá ocorrido nos fatos, corresponde ao que ficou plasmado e retido nas palavras. É nas palavras, com elas e através delas, que se cria o que acontece.

Por mais real e inexpressável que seja o que acontece, só pode ter lugar no âmbito do simbólico de umas palavras que paradoxalmente não conseguem expressá-lo. De igual modo, por mais aleatório e surpreendente que possa ser um acontecimento, não deixa de acontecer nas mesmas palavras que tentam prevê-lo e planificá-lo, explicá-lo e entendê-lo, dar-lhe um sentido e uma direção, projetá-lo ou conjurá-lo. É como se as palavras fizessem tudo para deter o acontecimento real, aleatório e surpreendente. E no entanto, apesar das palavras, há um acontecimento, e se há, é também graças às palavras.

O discurso, o meio mais hostil e desfavorável para o acontecimento, é também o único meio em que pode haver um acontecimento. Isso não exclui que o acontecimento possa ser desfeito e desativado sob o efeito do mesmo discurso. É a triste situação em que as palavras acabam substituindo fatos, frases por carícias, discursos demagógicos por ações concretas.

O acontecimento pode ser impossibilitado pelas mesmas palavras que o possibilitam. As palavras são assim condição de possibilidade e impossibilidade do acontecimento. Quando há um acontecimento, é pelas palavras, e quando não há ou deixa de haver, também é pelas palavras, ao menos em certo sentido. As palavras, por exemplo, acendem aquelas revoluções que transtornam e transformam tudo, assim como também terminam por afogá-las na cinza da fraseologia revolucionária.

Não é só que o acontecimento se enrede e se perca espontaneamente nas palavras, mas que o discurso parece envolver eficazes dispositivos cuja função é precisamente a de impossibilitar o acontecimento aleatório. Sabemos o que Foucault nos diz a respeito em A ordem do discurso. O acontecimento é dominado pelo discurso através de três mecanismos: o comentário, a autoria e a disciplina. Nos três casos, há algo, texto fundador, personalidade autoral ou especialidade disciplinar, que ancora o discurso, o controla, lhe põe limites e deste modo impossibilita que surja o inesperado, o incontrolável, o incompreensível, o inexplicável, o histórico. Não pode haver um verdadeiro acontecimento quando se impede qualquer má interpretação ou desvio a respeito do texto fundador, qualquer licença ou falta de rigor na disciplina. É, talvez, por isso que praticamente não ocorre nada com valor histórico de acontecimento nem em um século e meio de disciplina psicológica, nem em toda a obra de Hegel posterior à Fenomenologia do espírito, nem tampouco em séculos inteiros de comentário escolástico da Bíblia, de Aristóteles e Tomás de Aquino.

Tal como Foucault os descreve, o comentário, a autoria e a disciplina são mecanismos que tentam dominar o acontecimento aleatório no próprio local da sua aparição. Dado que o acontecimento irrompe em um discurso escrito, falado ou atuado, compreendemos que este mesmo discurso deva envolver dispositivos para evitar sua irrupção. Esses dispositivos podem ser apreciados através da análise do discurso, e deveriam ser particularmente importantes na perspectiva lacaniana, na qual se esperaria encontrar uma maior sensibilidade ante o acontecimento.

O acontecimento, de fato, é um tema repetidamente considerado por aqueles de nós que se inspiram em Lacan ao fazer análise do discurso. Com efeito, desde o artigo clássico de Pêcheux, Estrutura ou acontecimento, até os capítulos recentes incluídos no livro que Ian Parker acaba de editar, o acontecimento capta constantemente a atenção dos trabalhos nos quais se faz uma análise lacaniana do discurso. Esses trabalhos se interessam tanto pela irrupção do acontecimento nas palavras e através delas, como em sua obstrução por essas mesmas palavras. Neste último caso, embora não sejam estudados os dispositivos de autoria, disciplina e comentário a que Foucault se refere, há valiosas observações sobre outras estratégias discursivas para dominar o acontecimento.

Os analistas lacanianos do discurso têm buscado acontecimentos possibilitados ou impossibilitados pelos discursos analisados. No entanto, ao menos até onde eu sei, não parecem haver indagado os possíveis acontecimentos favorecidos ou impedidos pela própria análise do discurso entendida como um discurso. Quero dizer que o acontecimento não tem sido considerado no discurso analítico, mas apenas no discurso analisado. Isso se deve, entre outras razões, à falta de retorno reflexivo sobre a própria análise, a qual, geralmente, é vista como uma simples aproximação ao discurso e não como um discurso em si mesmo. Isso nos impede de ver a maneira pela qual a própria análise do discurso, entendida como um discurso, apresenta dispositivos de dominação do acontecimento como os que podemos encontrar em outros discursos.

Para conjurar o acontecimento, uma análise lacaniana do discurso, por exemplo, pode não ser mais do que um comentário da obra de Lacan através de sua aplicação e exemplificação, assim como também pode estar completamente submetida à consistência pessoal de seu autor ou aos limites daquela chata disciplina na qual frequentemente acaba se convertendo a psicanálise lacaniana. É lógico que esses dispositivos de disciplina, comentário e autoria, tal como foram descritos por Foucault, podem operar em nossa análise, a qual, não se pode esquecer, é um discurso como qualquer outro. Como tal, pode provocar acontecimentos, e para evitá-los, conta com seus próprios inibidores.

Contudo, além dos dispositivos que impedem que um discurso analítico produza um acontecimento, há também outros mecanismos da análise que dominam o acontecimento no discurso analisado. Isso é assim porque toda análise do discurso é um discurso acerca de outro discurso, e como ela exerce seu poder sobre dois discursos, sobre si mesmo e sobre o discurso analisado. O que tento explicar é que a análise do discurso não só é um discurso como qualquer outro, com seus próprios mecanismos internos que dominam o acontecimento em seu próprio seio, mas que é um discurso sobre outro discurso no qual ela também pode sufocar ou neutralizar o acontecimento, impedindo que transcenda, que se consuma ou que se realize até às suas últimas consequências, que se produza ou reproduza, ou que se expanda e se multipliquem seus efeitos. Nesse caso, a análise do discurso, como suposto meta-discurso, se opõe a um acontecimento que já se desencadeou em outro discurso, além de se opor a um acontecimento que poderia chegar a desencadear-se dentro de si mesmo.

Além de relacionar-se com seu potencial acontecimento, o discurso analítico também se defronta com um acontecimento talvez já iniciado através do discurso analisado. Podemos analisar um discurso revolucionário de Lênin, por exemplo, e enfrentarmos a Revolução de Outubro que se realiza nele e através dele. Para dominar esse acontecimento, a análise requer mecanismos que revoguem, retifiquem ou desativem retroativamente o acontecimento depois de ele já ter ocorrido no discurso de Lênin. Me refiro aqui a dois desses dispositivos que me parecem particularmente importantes. Um é a compreensão e outro é a explicação. Um e outro serão capazes de neutralizar um acontecimento, como o da Revolução de Outubro, quando aplicados a um texto já existente, como os discursos revolucionários de Lênin.

Através do vício da compreensão, bem conhecido e denunciado por Lacan, pretendemos acessar o conteúdo consciente que atribuímos ao discurso em lugar de nos limitar a ler o discurso em sua presença inconsciente. Dito de outro modo, deixamos de ler o que um discurso diz textualmente, os significantes como tais, e nos concentramos no que imaginamos que significa ou quer dizer. E o que poderá querer dizer o discurso que analisamos? Como bem nota Lacan, o discurso só pode querer dizer o que nós queiramos que nos queira dizer. Isso dependerá de nossos desejos, nossos preconceitos, nossas ideologias ou das teorias que nos permitem compreender e que pretendemos confirmar através do discurso. É o que vemos ocorrer naquelas análises psicológicas de conteúdo, próprias das perspectivas hipotético-dedutivas, onde sempre se encontra o que se busca, sejam cognições, atitudes, preconceitos, representações sociais ou qualquer outro material preconcebido que sirva para validar ou invalidar nossas hipóteses.

Desde o momento em que fazemos uma hipótese, já sabemos o que vamos encontrar no discurso, a saber, os termos da hipótese. O resto deve ser ignorado. O que devemos ignorar é precisamente o que não podemos compreender, o ainda incompreensível, o enigmático, o novo, o desconhecido, o aleatório, o imprevisível, quer dizer, tudo aquilo em que reside a possibilidade mesma do acontecimento. Podemos então fazer a análise de um discurso de Lênin e contornar tudo aquilo que o torna tão original, radical, provocador e perigoso, para nos limitar ao que podemos compreender como preconceitos contra os burgueses ou atitude negativa diante do capitalismo. Nosso discurso analítico terá, assim, desativado, mediante sua compreensão do discurso, esse acontecimento que se traduziu na Revolução de Outubro e que não deixa de perseguir e assustar o capitalismo contemporâneo.

Entendemos que uma análise lacaniana do discurso deve descartar aspirações à compreensão como as que encontramos na hermenêutica, em algumas aproximações narrativas ou nas diversas variantes de análise de conteúdo que encontramos nas ciências humanas e sociais. De fato, segundo Lacan, no lugar de compreender o suposto conteúdo consciente que um discurso quer dizer, há que explicar o que diz através de sua estrutura composta de significantes inconsciente que só remetem a outros significantes inconscientes e não a significados conscientes. Daí que tenhamos concluído anteriormente que a análise lacaniana do discurso não deveria ser compreensiva, mas explicativa, e que deveria oferecer uma explicação do discurso analisado. No entanto, como veremos agora, a explicação também pode chegar a se converter em um dispositivo discursivo para dominar o acontecimento. Foi graças ao mais jovem Marx e ao último Althusser que pudemos ver isso, e é aqui, neste ponto, onde o enfoque marxista althusseriano pode ajudar os analistas lacanianos do discurso a não se deixarem instrumentalizar como repressores ou amortecedores do acontecimento através da arma da análise explicativa.

Suponhamos que analisamos um discurso revolucionário de Lênin e que o explicamos por condições, circunstâncias, causas e intenções nas quais incluiríamos o período histórico, a Primeira Guerra Mundial, certas crises econômicas, a origem e a trajetória pessoal do autor, a estrutura interna da sociedade russa, a hegemonia como estratégia, o czarismo e a industrialização, o marxismo e os narodniki. Todos esses fatores determinam o acontecimento, o qual, aparecendo como resultado necessário de suas determinantes, poderia ser totalmente reduzido a eles, como se consistisse tão só em sua confluência e amarração. As razões do acontecimento seriam, assim, postas no lugar do acontecimento. A irrupção discursiva da Revolução de Outubro não seria mais do que a produção textual produzida por um aparelho produtivo contextual que se manifestaria parcialmente à consciência no discurso analisado. Analisar o discurso nos permitiria explicar o acontecimento, e ao explicá-lo, poderíamos relegá-lo a um rincão remoto como o da Rússia de 1917. Seria nesse contexto, e somente nesse contexto, no qual poderíamos conceber o acontecimento. É assim que o separaríamos de nós e nos protegeríamos de sua ameaça.

A análise explicativa tende a colocar as coisas em seu lugar, reordenar tudo e reintegrar o acontecimento na estrutura casual da ordem estabelecida. É assim que o acontecimento volta a ser encerrado na mesma jaula da qual havia conseguido se libertar. Mas nesta jaula, o acontecimento já não é um acontecimento. No lugar de um acontecimento, resta um puro efeito cujo sentido já não está nele mesmo, mas nos fatores estruturais que o determinam. Esses fatores são tudo o que há. Na falta deles, não pode haver o que eles determinam e que se confunde com eles mesmos.

Na perspectiva de uma análise explicativa, resulta impossível que haja atualmente algo como a Revolução de Outubro. Essa revolução pode reduzir-se a uma série de fatores determinantes que já não existem. A inexistência dos fatores é a inexistência do acontecimento. De fato, desde esse ponto de vista, o acontecimento nem sequer existiu quando parecia existir. Sua existência não foi mais que uma aparência, e além da aparência, unicamente havia os fatores determinantes que a explicavam.

A análise explicativa eleva os fatores determinantes à dignidade de única existência. Esses fatores são tudo o que há, houve e haverá. Eles se desdobram como um sistema simbólico fechado sobre si mesmo. Eles preenchem tudo e não deixam lugar nem para o real nem para o vazio, nem para o acaso nem para o aleatório, nem para os sonhos nem para os acontecimentos, nem para a história nem para o inconsciente que Lacan identificava com a história, nem para as revoluções nem para as demais surpresas que o próprio Lacan esperava da história.

Para nos deixarmos surpreender por algo, temos de parar de explicar tudo. A explicação deve calar ante aqueles surpreendentes acontecimentos históricos, originários e fundadores, que não se deixam reduzir a seus fatores determinantes, como bem o viu Marx em sua tese filosófica sobre Epicuro e Althusser no final de sua vida. Para ser mais preciso, o que o jovem Marx e o velho Althusser entenderam é que pode haver acontecimentos que só se fundam em si mesmos, efeitos que envolvem sua própria causa, textos que criam seu contexto, acasos que desobedecem a necessidade, encontros que superam qualquer distância, colisões que transtornam tudo, atos que desafiam o funcionamento do sistema simbólico, saltos do impossível ao real, gestos imprevisíveis com os quais se tece a trama histórica, revoluções que são o motor da história.

Marx acreditou na história e nas revoluções até o final de sua vida. E Althusser era ainda jovem quando via já a exceção como a regra da regra, a universalidade da singularidade, o que Meillausoux agora concebe como a necessidade da contingência. Tudo isso será reconhecido como indeterminação textual em uma análise do discurso na qual devemos ser conscientes, como apontaram Bakhtin e Foucault à época, que cada discurso pode envolver um acontecimento discursivo. Não pode ser de outra maneira quando não há um grande Outro, nada, ninguém que possa evitar exitosamente as revoluções.

É verdade que Lacan reduz as revoluções a movimentos circulares e retornos ao ponto de partida. E é também verdade que uma revolução como a de Outubro só nos liberta de Nicolau II para nos lançar nos braços de Stalin. Mas mesmo que o ponto de chegada seja pior que o de partida, ao menos é diferente e promissor. Há algo que já não é o mesmo. Há história.

Existe um deslocamento histórico porque o motor do processo revolucionário não só descreve um giro como o deplorado por Lacan, mas também um movimento em espiral como o reconhecido por Lênin. Para dizê-lo em termos lacanianos, o círculo da revolução permanece aberto. Sua abertura é prova sintomática da existência do acontecimento histórico, da história concebida lacanianamente como inconsciente, da persistência do real, da incompletude simbólica e daquele objeto que é causa de nosso desejo, motivo de nossa luta e justificação de nossa crença no que denominamos liberdade. Isso é precisamente o inexplicável que não se pode saber, mas que o sistema, com sua ambição de saber absoluto, tenta reabsorver através da estratégia explicativa.

Quando explicamos os efeitos a partir de suas causas, o que fazemos é atar o futuro com o passado e fechar assim o círculo da revolução em uma totalidade significativa para a consciência. Mas não há revolução que não fique aberta, e é por isso, de fato, que podemos dizer que a revolução é permanente. Por mais que nossas explicações tentem concluir a revolução ao fecha-la sobre si mesma, a revolução permanece aberta, inconclusa, por fazer, em processo. Não podemos conhecê-la em sua totalidade porque ainda não terminou. A Revolução de Outubro não terminou.

A revolução continua e não chegamos a um fim da história. Se já tivéssemos chegado ao fim, por que continuaríamos falando? Por que multiplicaríamos os discursos? E por que sentiríamos a necessidade imperiosa de analisá-los?

Nossa análise deve responder ao desejo que a anima e deve contribuir assim para manter viva a história e a chama das revoluções. Isso descarta certamente a explicação entendida como redução do acontecimento a seus fatores precipitantes, mas não exclui a explicação, no sentido etimológico do termo, a explicação tal como a entende também Lacan e tal como pode ser prescrita na análise lacaniana do discurso, como ação pela qual se desdobra, se desenvolve, se desenrola o discurso ao agregar novos significantes inconscientes que não se fazem passar por significados conscientes do analisado. Não há aqui nada que deva ser evitado. Essa explicação é discurso analítico no qual se prolonga o discurso analisado, o discurso do Outro, do inconsciente, sem pretender enroscá-lo, fecha-lo sobre si mesmo na empobrecedora consciência da ideologia dominante. Ao manter aberto o círculo discursivo, nossa análise lacaniana do discurso mostra sua respeitosa consideração do acontecimento e sua potencial utilização na luta revolucionaria.

A utilidade da psicanálise para a revolução, como já apontava Lacan na época, reside precisamente em manter aberto o círculo revolucionário. Tal abertura deve ser um propósito central da análise lacaniana do discurso em pesquisas que aspiram a ser intervenções políticas voltadas à mudança radical da sociedade. Nessas investigações, um discurso como o de Lênin não deve ser reduzido às suas causas, mas produzir novos efeitos.

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